
Pode-se dizer que os anos 80 começam realmente em 1977, com o sucesso da música “disco” inspirados no filme “Saturday Night Fever”. Voltam à tona, o glamour da noite e o charme do excesso e do brilho, deixando para trás o estilo hippie dos anos 70. A juventude trouxe de volta o que já era considerado “velho”: roupas sob medida e vestidos de baile. Os anos 80 seguem o charme e a sofisticação dos anos 60, porém com exagero.
No Brasil esses anos são considerados pelos economistas como a “década perdida”. Paraxodalmente, a moda buscava expressar o contrário, como eu falei no post anterior a música dos anos 80 influenciou muito a moda da época e o que vemos nas ruas hoje com uma releitura mais moderna. Pops, darks, góticos, metaleiros, rastafaris e tantas outras tribos conviviam com seus variados estilos. Uma das grandes influências na moda foi Madonna, com um estilo extremamente alegre, influenciou a sociedade com seu estilo livre e despudorado, com cores vibrantes e cortes exóticos. Outra grande influência foi Xuxa, quem não usou os pom pons ou quis ser paquita?
As roupas se tornaram uma espécie de reflexo do momento político do Brasil: a abertura democrática. Roupas coloridas e extravagantes conviviam lado a lado com estilos sofisticados, sensuais e ousados.
Maquiagens também coloridas, sombras fortes e batom com cores vivas, sempre na linha exótica e chamativa. A moda futurista com suas roupas de stretch e acessórios feitos de acrílico e do plástico nas mais variadas cores, geralmente cintilantes fizeram parte desta era. O estilo chamativo convivia lado a lado com estilos sofisticados, sensuais e ousados. Sendo a ambiguidade o traço marcante da moda: estampas de oncinha, cores cítricas, ombros largos, pernas longas, cortes de cabelo assimétricos e acessórios "fake" convivendo com discretos tailleurs e com roupas de moletom e cotton-lycra recém-saídas das academias.
Os anos 80 serão sempre lembrados como a década do exagero e da ostentação. Os seriados, como Dallas, mostravam mulheres poderosas cobertas com jóias e por todo o luxo que podia ser comprado pelo dinheiro. Em resposta a isso, a moda criou um estilo nada simplório. Todas as roupas de marcas conhecidas tinham seus logos estampados no maior tamanho possível. O ápice do jeans e a ascensão dos shoppings como paraíso do consumo também ocorrem nessa década.
No cenário internacional se destacam os japoneses Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo. Nessa época surgem nomes como: Christian Lacroix, Karl Lagerfeld e Jean Paul Gaultier. E em 1981 surge o Empório Armani. Tornam-se inesquecíveis nesta época: All Star, Pool, Company, Topper, Melissa, Kichute, Dijon entre outras marcas.
O corpo se torna vitrine daquilo que se passa na própria cabeça. Surge então a mania de customização. Exploração das ambigüidades, releituras, mistura de tendências, expressando o estado de espírito da pessoa e cristalizando a idéia da imagem como meio de comunicação.
No campo da moda, os anos 80 foram uma expressão das mudanças intensas e inovadoras que aconteciam no mundo. As mudanças sociais, a música e o cinema influenciaram muito o surgimento de diversos estilos. Estes estilos são constantemente recriados nos desfiles de moda, várias marcas famosas fazem releituras da moda dos anos 80 em suas atuais coleções.
Como podemos ver, temos muito mais a ver com essa década do que pensávamos...
Fontes:
www.anos80.com
Almanaque Folha
Wikipedia
Grande postagem. Maravilhoso! Viajei de novo aos meus 15 e poucos anos.rsrsrs.Lembro que a moda praia era muito forte principalmente aqui em PVH, o que era engraçado considerando que não temos praia. Marcas tipo "Hang Loose" ditavam quem voce era na sociedade. Outro dia minha ex me disse "não reconheço voce", pois estou comprando camisetas, coisa que eu nao gostava muito. Agora lendo seu texto percebo que quando entro na C&A estou voltando no tempo e entendo que na verdade estou voltando pra casa. E concordo com voce estamos vivendo uma releitura dos anos 80. Deve ser por isso que me sinto tão novo apesar dos meus, agora, 37 poucos anos. Obrigado por esta experiencia. E continue escrevendo sobre esta época, tem muita coisa ainda pra se falar. Grande bjo.
ResponderExcluirUma das coisas marcantes que vivi nos anos 80 aqui e que como eu era um "loser" (termo carinhoso para um roqueiro sentimental e nerd), eu tinha uma visão romântica, mas real desses momentos de descobertas que fizeram minha personalidade. Mesmo alheio a moda da época, eu tinha amigos que seguiam religiosamente. Ombreira, gel com brilho nos cabelos e achava engraçado. Mas era um grande barato. Na balada era comum ver a modernidade daquela época representar momentos na juventude. O flash-back era "Staying Alive" (Bee Gees) na pista, e depois emendava com "Vamos invadir sua praia" (do Ultraje a Rigor) e mandava ver com "Núcleo Base" (Ira!) - que foi o meu hino quando me alistei no exército. Nos anos 80 servir o exército era ser apaziguador com a recém extinta ditadura - era um momento político de aprendizado (e eu tinha muito o que aprender com isso). Adoro os seus textos dessa série pois foge do lugar comum e apresenta uma proposta de nostalgia histórica, situando comportamento, vida social e costumes. Cada acesso meu é uma descoberta linda que vc em proporciona. Já falei - e tá virandolugar-comum, mas obrigado por ter feito esse blog. É uma das minhas razões de leitura. Te adoro... Bjs.
ResponderExcluirHahaha e o AIR SUPPLY, hein, bombando até hoje e com álbum novo, logo lançado por aí, chamado "Mumbo Jumbo". O show é ótimo e eles têm uma relação mto próxima dos fãs. Quem nunca ouviu "MAKING LOVE OUT OF NOTHING AT ALL", que atire a primeira nota musical!! kkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluir"I know just how to whisper,
And I know just how to cry
I know just where to find the answers
And I know just how to lie..."