domingo, 17 de janeiro de 2010

Série Anos 80: Cinema Parte 1



Essa década é caracterizada pela intensa produção dos Estados Unidos. A violência se torna tema favorito dos grandes diretores. Martin Scorsese inova com Touro Indomável - considerado por muitos críticos como marco inicial do estilo de fazer cinema que seria agregado pela grande maioria dos cineastas no decorrer desta década.Já o cineasta Stephen Freas espanta os espectadores com Ligações Perigosas.

No Brasil, a crise econômica do país piora com a falta de dinheiro para pagar a dívida externa. Falta dinheiro para ir ao cinema e principalmente falta dinheiro para produzir filmes, com isso há uma queda na produção. Com isso começa uma batalha judicial movida pelos donos de cinemas contra a lei da obrigatoriedade de exibição de filmes brasileiros. Muitas salas deixam de exibir filmes nacionais por isso. Metade dos filmes produzidos em 1985 foi de sexo explícito.

Apesar de tudo, surge uma nova geração de cineastas em São Paulo, onde se destacam Sérgio Bianchi (Mato eles?, 1982), Hermano Penna (Sargento Getúlio, 1983), André Klotzel (A marvada carne, 1985) e Sérgio Toledo (Vera, 1987), mas seus filmes são vistos basicamente em festivais.

Graças à "Lei do Curta" (de 1975, mas aperfeiçoada em 1984), que obriga a antes do longa estrangeiro, o curta-metragem passa a ser o único cinema brasileiro com acesso ao mercado. Assim, em todo o país surgem novos cineastas e novas propostas de produção, e os curtas brasileiros ganham vários prêmios internacionais.
Outro destaque da década é a produção de documentários, também sem acesso ao mercado, mas refletindo sobre a história recente do país: Jango (1984), de Sílvio Tendler; Conterrâneos velhos de guerra (1989), de Vladimir Carvalho; e a obra-prima Cabra marcado para morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

O cinema nacional que me perdoe, mas um dos ou talvez o símbolo do cinema nos anos 80 foi a comedia Curtindo a vida adoidado.

Bom, a década de 80 tem muita coisa pra ser dita sobre o cinema. Por isso eu dividi anualmente, entretanto um post assim ficaria gigante e a série cinema vai ser dividida em partes pra facilitar a leitura de vocês. Hoje vão os anos 1980, 1981 e 1983.

1980
Foram lançados O Homem-Elefante - com o estilo preto-e-branco e Gente como a Gente - que deu a Robert Redford os Oscars de Melhor Filme e Direção.
Roman Polanski inicia a década com o aclamado Tess, também são importantes lançamentos: Star Wars Episode -O Império Contra-ataca; Kagemusha - A Sombra do Samurai e O Destino Mudou Sua Vida), que premiou Sissy Spacek como Melhor Atriz de 1981. Foi nesse ano que Brooke Shields se torna uma diva do cinema com A Lagoa Azul.

1981
O ano é marcado por Katharine Hepburn em Num Lago Dourado, que lhe rendeu mais um Oscar e também premiou Henry Fonda que no filme contracena com sua filha Jane Fonda.
Hugh Hudson surpreende com Carruagens de Fogo e leva para casa o Oscar 1982 de Melhor Filme.
Outro destaque é Milos Forman, com Na Época do Ragtime, marcando a despedida do astro James Cagney do cinema.
O diretor Steven Spielberg lança o personagem Indiana Jones (interpretado por Harrison Ford) em parceria com George Lucas, no filme Os Caçadores da Arca Perdida.
No Brasil, Pixote - A Lei do Mais Fraco incomoda a sociedade ao mostrar a realidade nua e crua das ruas do país.
A onda do novo pop-rock brasileiro inspira um cinema focado no público adolescente, um exemplo deste ano foi Menino do Rio (dir. Antônio Calmon)

1982
Uma cinebiografia contagia a crítica especializada, e Ben Kingsley imortaliza a imagem de Gandhi na telona.
Steven Spielberg continua sua saga e apresenta um filme que marcará a infância das próximas gerações: ET - O Extraterrestre, com cenas antológicas como a da bicicleta que voa sob a imagem da lua cheia.
O ano é também de Dustin Hoffman na comédia Tootsie, filme de Sydney Pollack que deu a Jessica Lange o Oscar de Atriz Coadjuvante.
Os astros do passado fazem sucesso, com Jack Lemmon, Paul Newman e Peter O'Toole estrelando Desaparecido, um Grande Mistério, O Veredito e Um Cara Muito Baratinado, respectivamente.
Julie Andrews volta à cena com o musical Vitor ou Vitória?, dirigido pelo marido Blake Edwards.
A ficção científica nunca mais será a mesma depois do cult Blade Runner - O Caçador de Andróide), de Ridley Scott, que, apesar do fracasso no lançamento, tornou-se um sucesso alguns anos depois.
Os estúdios Disney inovam na tecnologia eletrônica com Tron.
Também estréia o clássico de Francis Ford Coppola – “Vidas Sem Rumo”.
Jim Jarmusch com “Stranger Than Paradise" mostra o cinema independente e alternativo.

1983
Brian de Palma é um diretor visionário, de vanguarda, um legítimo sucessor de Howard Hawks. E a prova disso vem com a estréia do polêmico Scarface ou A Força do Poder, com Al Pacino em seu mais importante papel.
James L. Brooks entrega o clássico Laços de Ternura, que premia Jack Nicholson e Shirley MacLaine no Oscar.
Glenn Close é uma agradável surpresa em The Big Chill,
Peter Yates dirige Albert Finney em O Fiel Camareiro. Finney é laureado com o Urso de Prata em Berlim.
Ingmar Bergman tem mais uma obra-prima reconhecida, Fanny & Alexandre. A versão do diretor tem incríveis 312 minutos.
Mel Gibson faz parceria com Linda Hunt caracterizada como homem em O Ano que Vivemos em Perigo, de Peter Weir.
O casal Woody Allen e Mia Farrow está na comédia Zelig.
É lançado Star Wars Episodio VI – O Retorno de Jedi, o último episódio da fantástica saga.
Tom Cruise surge no filme adolescente Negócio Arriscado (dir. Paul Brickman).
É lançado Rumble Fish de Francis Copolla – esse filme juntamente com “Vidas sem Rumo” abordaramm os dramas da adolescência e lançaram uma nova geração de jovens atores como Tom Cruise, Ralph Macchio, Emílio Estevez, Matt Dillon, Nicholas Cage e Rob Lowe.
“Down By Law” de Jim Jarmusch também mostra a força de um cinema independente e alternativo aos padrões hollywoodianos.


Caramba, é tanta coisa pra lembrar que minha cabeça tá girando. Antes que eu entre em curto circuito vou ficando por aqui. Semana que vem tem a parte 2.

Bjumeliga

Um comentário:

  1. Tenho ótimas lembranças dos filmes que marcaram minha adolescência. Algumas coisas foram tão marcantes que me incentivaram um dia a ser cineasta ou escrever roteiros e livros que emocionassem as pessoas. "Clube dos Cinco" (John Hughes), "Selvagem da motocicleta" (Francis Ford Coppola), "Paris-Texas" (Wim Wenders), "O primeiro dia do resto de nossas vidas" (Joel Schumacher), "Hanna e suas Irmãs" (Woody Allen), "Blade Runner" (Ridley Scott), "Sexo, mentiras e vídeotapes" (Steven Soderbergh)... Nossa, um monte ainda. Foi um momento de transição importante, no Brasil pouca coisa escapou (minha modesta opinião)... Gostei de "Feliz Ano Velho" (Roberto Gervitz), "A Marvada Carne" (André Klotzel) e acho um espetáculo lindo "Inocência", do Walter Lima Junior. Acho importante o seu resgate. O Brasil nesse retrospecto dos anos 80 deveu muito. Dos filmes europeus meus favoritos eternos foram "Fanny e Alexander" (Ingmar Bergman), "Pelle, o conquistador" (Bille August) o mais lindo filme sobre infância que eu assisti, "A festa de Babette" (Gabriel Axel) o melhor filme sobre comida (hummm, dá uma fome toda vez que assisto). Enfim, adorei esse post e o caminho se trilha perfeitamente para quem viveu intensamente a adolescência nos anos 80. Te adoooorooo por isso. Bjs.

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