Tõ terminando de ler o livro "Cenário Publicitário Brasileiro" de Mariângela Machado Toaldo. É um livro super interessante, mostra o cenário político, econômico e social brasileiro entre os anos de 1969 a 1999, traçando as mudanças na publicidade brasileira que acompanharam as mudanças no cenário nacional.
Entre as informações interessantes que absorvi deste livro, separei duas pra comentar aqui.
A primeira refere-se ao seguinte trecho:
A sociedade civil representativa dos segmentos populares inicia um movimento visando solucionar problemas que a afetam. (...)
Nesses momentos de conscientização e exercício da cidadania (...), quando as pessoas procuram fazer valer seus direitos, a publicidade busca valorizar o consumidor, como aliás, vem fazendo ao longo das décadas. O consumidor também aprende a valorizar-se. O anúncio do CONAR (1989) demonstra que o órgão faz o mesmo ao apresentar sua missão: "É uma questão de respeito da publicidade para com o consumidor. No dia em que não se respeitar o que o consumidor pensa da propaganda, a propaganda vai perder o respeito pelo consumidor."
Me perguntei onde foi parar esse discurso. Por que o que vemos é um grande desrespeito ao desejo do consumidor. Já escrevi aqui e no Ninguém Merece sobre minhas desventuras. Falo estreitando o cenário a Porto Velho, vemos propagandas mal feitas, mal atendimento nos estabelecimentos comerciais, uma descaso tremendo com o consumidor. Mas nós consumidores também somos responsáveis por esse cenário a partir do momento em que não fazemos valer nossos direitos. A gente reclama, reclama mas no fundo fica só nisso.
Já citei aqui as campanhas PELA SAÍDA TRANQUILA NA NOITE DE PORTO VELHO e PELO BOM ATENDIMENTO NOS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS DE PORTO VELHO. Tá na hora de mobilizarmos nosso meio social pra sermos tratados como deveríamos ser. Tá na hora dos comerciantes aprenderem que o cliente é em primeiro lugar, por que eles dependem de nós.
Outro ponto interessante se refere a análise do anúncio da Wollens publicado na Revista Veja em 1989. O anúncio parte do slogan de um anúncio de uma outra marca que consagra a ideia do " o negócio é levar vantagem em tudo" aproveitando pra mostrar o contrário:
"A falsa malandragem virou mania nacional. Mas não precisa ser muito esperto pra ver que, com todo mundo levando vantagem o tempo todo, o Brasil nunca vai levar vantagem em nada. De tanto dar jeitinho em tudo, daqui a pouco é o país que não tem mais jeito. E daí ninguém vai gostar de levar o que vem por aí."
Isso me lembrou o post de ontem sobre o egoísmo. E encarei esse anúncio como uma "previsão" pois vemos mais ou menos isso. Um país onde o "jeitinho brasileiro" predomina em proveito dos interesses pessoais, principalmente dos nossos exelentissimos políticos. Será que o Brasil ainda tem jeito? Espero que sim.
www.veja.com.br/acervodigital/home.aspx Link da Revista Veja com o anúncio original.
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