sábado, 24 de julho de 2010

Desabafo

Confesso que abandonei o blog, a última postagem foi feita no dia 07/07 em homenagem ao Grande Cazuza. Tenho uns rascunhos pra publicar, mas preferi que minha volta falasse de outra coisa. Peço desculpas para aqueles que esperavam outra coisa, mas o post hoje é um desabafo.

Nessas duas últimas semanas, meu mundo mudou. Me deparei com a transformação humana em seu nível mais vil. Na verdade não acho que seja transformação, apenas a revelação de um lado oculto.

Já dizia o provérbio "SE QUERES CONHECER ALGUÉM, DÁ-LHE PODER”, eu acrescento que basta colocar a pessoa na disputa por poder para que ela se revele. Infelizmente, essa semana eu pude constatar isso.

Infelizmente não posso descrever a situação detalhadamente, pois envolve pessoas com atitudes erradas e isso poderia me trazer problemas legais. Mas, apesar disso, vamos ao que interessa.

Quando conhecemos alguém pra uma relação profissional, procuramos descobrir em que a pessoa pode nos ajudar. Com o tempo, inevitavelmente, essa relação deixa de ser somente profissional e vai se estreitando. Com o tempo, também descobrimos os defeitos das pessoas com as quais convivemos, mas nos adaptamos a eles ou os ignoramos.
Eu já tinha percebido os defeitos dela. Aquele tipo que quer agarrar o mundo com as pernas, mas mal consegue abrir os braços. Intrometida, atrapalhada, as vezes inconveniente, metida a sabe tudo quando não tinha a menor ideia do que era o assunto, eu fui me acostumando e ignorando pra poder manter a relação profissional.
Só que as coisas foram passando das trapalhadas pra intromissão e da intromissão pra interferência irresponsável.
Tentei reverter a situação de uma forma civilizada, mas não teve jeito. Sinceramente, não me surpreendeu tanto a atitude dela, só não esperava que além dela, outras pessoas entrariam nessa barca furada e a resposta viesse de uma forma tão baixa e anti ética.

Todo mundo tem defeitos, qualidades, um lado bom e um ruim. O que nos diferencia é qual adjetivos e qual lado escolhemos pra nossa vida. Eu preferi o lado bom. Cresci ouvindo que aquilo que você tira dos outros é amaldiçoado pra você. Criei um medo disso e com 14 anos me fiz um juramento: Eu nunca iria permitir que as pessoas passassem por cima de mim, mas também não iria passar por cima de ninguém. Tudo o que eu conquistei foi por esforço, sem precisar derrubar ou magoar alguém. E venho tentando me impor pra cumprir a outra parte do juramento.

Só desperta inveja quem tem o que mostrar. Não vou me fazer de falsa modesta, sou inteligente, esforçada e apaixonada pelo que faço. Só preciso de uma oportunidade, oportunidade que, sem eu saber, já tinha aparecido e me foi tirada por pessoas que não tem o que mostrar, não tem competência muito menos conhecimento na minha área. Agora, se a pessoa não entende nada de comunicação, não tem competência apesar de ter um cargo de direção, por que fazer isso comigo? O que iriam ganhar?

Omissão, roubo de ideias, sabotagem, fofoca e sabe mais o que algumas pessoas acreditam que é válido passar por cima dos outros. Durante as duas últimas semanas eu venho descobrindo toda a podridão que se escondia atras de pessoas que se dizem evangélicas tementes a Deus, que pregavam a boa postura e os ensinamento de Deus constantemente. Pessoas que pareciam ser as últimas que podiam ter uma atitude dessa. Quem me acompanha pelo Twitter viu minha indignação com isso. Não fiz a menor questão de esconder minha raiva pela atitude mesquinha e baixa dessas pessoas. O desrespeito comigo como pessoa e como profissional foi tão grande que eu fui parar no hospital mais de uma vez por uma enxaqueca ininterrupta que durou 10 dias. A enxaqueca, aliada a uma dor de cabeça tensional (causada pela tensão nervosa) foi a manifestação do meu corpo pra toda essa sujeirada.

Ainda não entendo por que eu fui o alvo disso tudo. Eu não represento perigo ao cargo de ninguém, por que eu não quero nada daquilo. Não é e nem nunca foi meu desejo ficar assinando papéis. Minha vibe é comunicação, foi por isso que que passei noites em claro estudando, prestei concurso pra Relações Públicas e passei. Esse cargo é meu por direito, pois eu fiz por merecer. O engraçado dessa história, é descobrir os absurdos feitos por essas pessoas por pura falta de conhecimento. Elas pensavam mesmo que iriam me derrubar fazendo o meu trabalho pelas minhas costas, sem saber NADA de comunicação. Tentaram fazer meu trabalho e só o que fizeram foi besteira, que fique bem claro.

Eu acredito que não vale a pena tentar subir fazendo o outro de degrau. Já tive provas de que isso não se sustenta por muito tempo. E agora não foi diferente. Elas se preocuparam tanto em me sacanear, em fazer meu trabalho pelas minhas costas que se esqueceram de seus respectivos trabalhos. Não fizeram um trabalho extremamente importante que havia sido pedido desde o ano passado, pois usavam seu tempo pra tentar me derrubar. E a bomba estourou. A derrocada começou e eu estava lá assistindo a tudo de camarote. Não desejo mal, desejo justiça. E ela está sendo feita.

Resultados que elas conseguiram com isso: me deixaram doente, assinaram atestado de incompetência, criaram um clima pesado colocando as pessoas umas contra as outras e me inspiraram a fazer um projeto maravilhoso, muito bem fundamentado que comprova toda a minha competência e o conhecimento que é necessário pra trabalhar com comunicação. Resumindo, cavaram a própria sepultura.

Eu acredito muito em Deus, não prego a palavra 24 horas por dia ou mostro uma fé fanática (com respeito a todos os cristãos), eu simplesmente procuro respeitar a todos e fazer por merecer o que tenho recebido da vida. Acho que isso é mais importante do que pregar o nome de Deus em vão e ter atitudes que contrariam os ensinamentos dele.
Tive a sorte de encontrar alguém pra me ajudar e me defender. Alguém que vê muito além do rostinho de menina e da pouca idade. Alguém que consegue ver que a capacidade vem da paixão com que se faz as coisas e que percebeu que essa sujeira não afeta só a mim, prejudica a todos.
Não sou vingativa, acredito que a vida se encarrega em cobrar o preço que cada um tem a pagar, estou apenas esperando a justiça ser feita e que eu tenha aquilo que é meu por direito. Pois o que Deus nos dá, ninguém nos tira.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O poeta está vivo - 20 anos sem Cazuza

Agenor de Miranda Araújo Neto, ou simplesmente, Cazuza.



Filho de João Araújo, produtor fonográfico, e de Lucinha Araújo, Cazuza recebeu o apelido mesmo antes do nascimento. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu verdadeiro nome, somente quando descobre que um dos compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade, Angenor), é que aceita o nome de batismo.

Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza sempre teve contato com a música. Cresceu cercado pelos maiores nomes da Música Popular Brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. Influenciado desde pequeno pelos grandes nome da música brasileira, tinha preferência pelas canções dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Maysa, Dalva de Oliveira e outros. Era também grande fã da roqueira Rita Lee.

Por volta de 1965, ele começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó.

Em Londres conheceu o trabalho de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones tornando-se grande fã. Em São Francisco descobriu a literatura da Geração Beat, os poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira.

Em 1980 ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador, no Rio de Janeiro, cantando em público pela primeira vez.

Foi indicado por Leo Jaime a assumir os vocais de uma banda que estava se formando, surgindo assim o Barão Vermelho e uma mas duplas do rock mais elogiadas pela crítica: Cazuza e Roberto Frejat.

Apesar da pouca idade, Cazuza demonstrava uma maturidade poética incrível, que pode ser conferida em suas letras despudoradas, que falavam escancaradamente de amor, prazer e dor. Apesar das letras maravilhosas e do repertório da banda cheios de rocks básicos, dançantes, juvenis e blues, os dois primeiros discos venderam pouco, apesar da aceitação que tiveram no meio artístico. As rádios não tocavam a banda, situação que só mudou quando Caetano Veloso fez uma crítica as rádios e Ney Matogrosso gravou "Pro dia Nascer Feliz".

A banda que já tinha os sucessos "Todo amor que houver nessa vida" (1º disco) e Pro dia nascer feliz" (regravada por Ney Matogrosso), desponta ao criar "Bete Balanço" para trilha sonora do filme homônimo. O terceiro CD conta também com os sucessos "Maior abandonado" e "Por Que a Gente é Assim?".

Em 1985, o Barão Vermelho faz uma apresentação antológica na primeira edição do Rock in Rio. A apresentação da banda coincidiu com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar. Cazuza anuncia esse fato ao público e comemora cantando "Pro Dia Nascer Feliz".

Neste mesmo ano Cazuza segue carreira solo a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente. Surgem nessa época os primeiros sintomas da AIDS, doença que vitimou o poeta em 1990.

No ano seguinte é lançado o primeiro disco solo do artista, Só se for a dois, que trazia as canções "Só Se For A Dois", "O Nosso Amor A Gente Inventa", "Solidão Que Nada" e "Ritual". Já em 1987, após voltar dos EUA onde foi submetido a um tratamento para Aids, inicia as gravações de seu novo disco. Ideologia de 1988, inclui os hits "Ideologia", "Brasil" e "Faz Parte Do Meu Show". "Brasil" em versão de Gal Costa foi tema de abertura da novela Vale Tudo.
O Tempo Não Pára, gravado no Canecão durante a turnê do disco Ideologia, é lançado em 1989 tornando-se o maior sucesso comercial superando a marca de 500 mil cópias vendidas. A faixa "O Tempo Não Pára" torna-se um de seus maiores sucessos. Também destacam-se "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" com um novo arranjo mais introspectivo, "Codinome Beija-Flor" e "Faz Parte Do Meu Show".

Em fevereiro de 1989, Cazuza declara publicamente que era soropositivo, numa entevista ao jornalista Zeca Camargo. A entrevista é lembrada por muitos, pelo modo como Cazuza divulgou a noticia:
- Escreve aí, escreve que eu estou com a maldita.
A declaração ajudou a criar consciência em relação a doença e os efeitos dela.
Durante as gravações do álbum Burguesia (1989), Cazuza já estava bem debilitado, numa cadeira de rodas e com a voz nítidamente enfraquecida. É um álbum duplo de conceito dual, sendo o primeiro disco com canções de rock brasileiro e o segundo com canções de MPB. Burguesia é o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias.

No dia 7 de julho de 1990, Cazuza perde a batalha contra a AIDS e morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela doença. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Cazuza foi o símbolo da sua geração tornando-se um dos ícones da música brasileira do final do século XX. Cazuza também ficou conhecido por sua rebeldia, boêmia e polêmica. Declaradamente bissexual, vivendo sob o trinômio sexo, drogas e rock in roll, Cazuza viveu loucamente com direito a prisões e fichas na polícia, por porte e uso de drogas.

Hoje completa 20 anos sem Cazuza. Há 20 anos ficamos órfãos de suas poesias e de seu jeito despojado. Mas Cazuza está vivo no legado que deixou, nas paixões e revoltas que embalou com suas músicas. Enfim, o poeta está vivo.

Abaixo segue o vídeo de "O poeta está vivo" composição do Barão Vermelho em homenagem a Cazuza.