terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Música, pirataria e internet




Ontem a noite terminei de ler o capítulo 7 do livro "Mutações da cultura midiática" intitulado "Por onde anda a canção? Os impasses da indústrias na era do MP3"
O capítulo, que é a versão ampliada do trabalho "Mídia e Entretenimento" de Eduardo Vicente, me trouxe dados interessantes e rememorou algumas ideias.
O capítulo fala do surgimento da indústria indie e sua interferência no ramo musical, faz referência aos meios de distribuição e divulgação, entre eles a internet e a pirataria.
A respeito desses temas, algo me chamou a atenção. Segundo Vicente, consideramos pirataria a produção e distribuição ilegal de suportes para comercialização. Entretanto, consideramos os downloads gratuitos como democratização do acesso ou cópia doméstica e não pirataria. Mas é sabido que ambos causam prejuízos a indústria fonográfica e que se encaixam no conceito de pirataria.
Isso me lembrou que há alguns anos o preço de CD´s e principalmente de DVD´s era alto, o que gerou o discurso da falta de acesso a música por falta de condição financeira da população. A pirataria forçou a indústria fonográfica a reduzir os preços desses produtos.
Domingo na Americanas, minha irmã ficou chocada ao ver que um CD recém lançado tá custando R$ 14,90. Há alguns anos esse lançamento custaria em torno de R$ 25,00.
Esse é o lado bom da pirataria, a democratização (por mais que seja de uma forma errada) da música.
Sou a favor da democratização da cultura. Faço downloads com frequencia, mas não compro produtos piratas. Parece não haver diferença, certo? Ao meu ver, errado.
Sou a favor da democratização da cultura, assim como sou a favor da democratização da educação, da segurança, da alimentação e de todos os direitos básicos do cidadão.
Não compro CD´s ou DVD´s piratas por que a pirataria não é só o ambulante que te vende, há uma indústria por trás dele, indústria essa financiada em sua maioria pelo tráfico de drogas. Daí a dificuldade governamental de acabar com ela.
Um ponto interessante abordado por Vicente, é o circuito alternativo de distribuição criado pela pirataria. Artistas e gravadoras independentes, geralmente ligados a segmentos populares (forró, funk, sertanejo) usam a estrutura dos ambulantes pra expor seus trabalhos. Esses CD´s vendidos a preços mais baixos usam a estética low fi (low fi - precaridedade na produção). Isso torna o comércio ambulante uma nova fonte de distribuição para alguns segmentos musicais.
Outro fator que forçou essa queda expressiva nos preços foi o advento da internet.
Um dado interessante em relação ao downloads é que essa forma de distribuição privilegia músicas individuais e não discos completos. Isso geralmente causa uma febre por determinada música o que não garante a consolidação da carreira do artista/banda.
Um lado bacana da internet é que ela tem servido como divulgação inicial a novas bandas e artistas. Quem já não ouviu falar em Mallu Magalhães, a guria que surgiu no MySpace? Ou da Stefhany com seu CrossFox, que surgiu no Youtube?
Porém, essa perda no caráter comercial da música também traz a perda na autonomia financeira, forçando-a a depender dos shows e do mecenato, na forma de projetos culturais estatais ou circuitos exibidores como o do Sesc e de fundações culturais sejam elas privadas ou públicas.
Muitas gravadoras fecharam por causa desse processo. Uma alternativa legal foi criada pela Gravadora Trama, onde o artista cria sua homepage no site da gravadora e nela disponibiliza seu trabalho gratuitamente ao público sem ter os seus direitos autorais lesados pela gratuidade.
Independente da forma de aquisição (sim, hoje é quase impossível não aderir a pirataria) o importante é cercar-se de boa música e abrir a mente a novos estilos (só não me peçam pra gostar de Banda Dejavú, pelo amor da Santa Lady Gaga).

Quem tiver sugestões de boas bandas ou artistas, manda aí. Depois faço um post com as sugestas de vocês.

Um comentário:

  1. Eu já fui compradora de CD (pouco, sempre fui mão devvaca e só comprava das bandas que eu amava muito, achava caro, como a maioria), já fiu 'baixadora' compulsiuva (de baixar músicas, filmes e séries) e hoje em dia faço isso bem de vez em quando (a única coisa que baixo com frequência são séries - pq elas sim ainda têm um preço absurdoooo). Adoro sites como MySpace e Trama. Disponibilizar seu trabalho na internet não é uma perda tãooo grande pro artista, porque quem é fã mesmo, sempre acaba comprando o CD. Essa é uma questão que envolve muita coisa, né? Acho errado copiar, gravar num CD barrela e vender e lucrar com isso, mas infelizmente é só esse preço que um monte de gente pode pagar. Por isso eu amo a internet *.* huhauaha bjo =*

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