Há algum tempo teclo na mesma tecla: o mau atendimento no comércio portovelhense. Como consumidora já passei pelas mais diversas situações que se listadas aqui demandariam muito tempo.
Entretanto, uma delas que infelizmente já passei algumas vezes merece ser contada: O mau atendimento nos hospitais. Quando escrevo hospitais me refiro aos particulares que atendem a UNIMED.
Moro próximo ao Hospital das Clínicas(HC) e quando precisamos de algum serviço médico recorremos ao pronto socorro (PS) de lá.
Ontem tive uma forte enxaqueca e resolvi ir ao PS. Isso era por volta das 16:40, ao entrar no HC vejo o corredor cheio de gente. Fui até a recepção perguntar da atendente se aquilo era pro PS e ela na maior naturalidade me responde que o mesmo tava lotado e que não sabia quanto tempo ia demorar pra eu ser atendida.
Voltei pra casa e retornei ao hospital uma hora depois e vi o hospital tava quase vazio. Fui até o recepção pra fazer o registro. Um senhor tava fazendo um pagamento de uma internação particular e eu fui obrigada a esperar a atendente terminar enquanto eu passava mal. Ela terminou de atender o senhor e foi organizar a recepção enquanto isso, eu olhava pra cara dela pra ver se ela se tocava que eu precisava de atendimento médico.
Aí, ela começa a me registrar sem a menor pressa, fazendo as perguntas maçantes de sempre. Eu, pra agilizar a coisa digo logo pra ela que moro no mesmo lugar e que me telefone não mudou.
Ela me pergunta quem é o titular do plano, se ela tivesse olhado na carteirinha da UNIMED veria que lá consta essa informação.
Fui ao PS, entreguei minha ficha pro médico e voltei pro corredor pra esperar ser chamada (não é PRONTO Atendimento, por que eu tenho que esperar???).
Depois de uns 10 minutos o médico me chama e...
- O que traz a senhora aqui, parecendo que a senhora tá nas últimas forças?
- É porque é a segunda vez que venho aqui hoje, vim mais cedo e isso parecia o João Paulo II (JP II).
- Aqui tá difícil hoje, mas o João Paulo é pior.
- Não só hoje, é a terceira vez que venho aqui essa semana e todas as vezes tava cheio. Na terça-feira demorava 40 minutos pra ser atendido. Se é pra demorar eu vou pro João Paulo que é público.
- A saúde em todo Brasil está difícil e tende a piorar. Eu posso lhe garantir que no JP II demora mais que 40 minutos. Aqui é bem melhor. Mas é assim mesmo.
- Eu sei que a saúde no país é complicada, mas aqui não deveria ser, é um hospital particular. A partir do momento em que eu tenho que esperar pelo PRONTO atendimento isso tá errado. E se todo mundo se acomoda dizendo "é assim mesmo" não muda, ninguém faz nada.
- É mas não existe pronto atendimento, tem uma sequencia por ordem de chegada. E eu dou prioridade a idosos e traumas. O problema é que o número de pacientes é grande.
- E o de médicos pequeno, visto que só tem um médico aqui.
- Sim, mas sempre o paciente vai chegar aqui querendo ser atendido primeiro. Mas não é assim, se fosse teríamos que ter um hospital pra cada pessoa.
- Eu sei, mas não deveríamos esperar por atendimento. Não aqui.
Até então era uma conversa me tom normal, aí ele começa a engrossar comigo.
- Se fosse assim, teria que ter um hospital só pra senhora. "Não vamos atender ninguém por que a D. Neuma não está se sentindo bem. É ela que tem que ser atendida primeiro, não vamos atender ninguém". Não é assim que funciona D. Neuma.
- Eu não estou dizendo isso, só que a UNIMED não vai descontar o tempo que eu tô aqui passando mal enquanto espero atendimento.
Aí então ele lembrou que eu tava doente, isso já era por volta das 18:10 e pergunta:
- Tá e o que a senhora tem?
Eu respondi
- A senhora espere que o enfermeiro tá fazendo a internação de uma "tiazinha" lá em cima, ele já tá descendo. Deite numa maca que ele já vai aplicar a medicação.
Ele ia recomeçar a discussão e eu respondi:
- Dr, tá bom eu tô com enxaqueca, mal humorada, não vou discutir.
Fui procurar uma maca pra deitar, das três desocupadas duas estavam sem lençol, uma delas o lençol estava jogado no chão e a outra o lençol estava sujo de sangue.
Chega o enfermeiro
- Seu Vital, tem essas medicações pra aplicar. 1º essa, 2º essa e 3º D. Neuma que tá estressada com a demora no atendimento.
Engoli a seco pra não recomeçar a discussão. Fique sentada numa maca sem lençol até o enfermeiro vir até mim e em tom irônico dizer:
- Eu posso por lençol aqui se a senhora deixar é claro, se preferir pode deitar sem lençol mesmo.
Desci da cama pra ele cobri-la, me deitei, ele aplicou a medicação e saiu.
Terminou o soro, eu pedi pra ele tirar de mim. Ele me pediu pra esperar o médico que tinha ido ver um paciente, pra ele me dar alta. Em seguida o médico volta e eu perguntei se podia ir, ele sem nem olhar pra mim disse com o maior desinteresse que sim.
Saí de lá indignada, como num plano de saúde caro como a UNIMED a gente é obrigada a passar por isso?
É o cúmulo ser atendido dessa forma em um momento tão delicado como esse. Eles lidam com vidas, um minuto de espera pode ser a diferença entre a vida ou a morte de alguém. Seria necessário eu estar baleada ou com uma fratura exposta pra ser atendida com presteza?
Onde vamos parar? Esse médico fez o juramento de salvar vidas e não se importou em engrossar comigo mesmo eu estando doente?
E que hospital é esse que põe apenas um médico e um enfermeiro num PS, num feriado onde se sabe as ocorrências são em grande número?
Medicina não é capitalismo, é salvar vidas. O que mais me admira é que o medico que me atendeu é jovem e já está conformado.
É lamentável passar por uma situação dessas ainda mais no dia de Natal.
Fica aqui a minha revolta.
Abaixo segue o juramento de medicina, que infelizmente aquele médico não lembrou na hora de me atender.
JURAMENTO OFICIAL DO CURSO DE MEDICINA
Juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade. A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos. Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes. Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza. Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.
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