quarta-feira, 31 de março de 2010

Anjos das ruas

Ontem fui tomar café na padaria como faço algumas vezes. Resolvi olhar pelo vidro e me deparei com uma cena: uma garota dormindo do outro lado da rua na calçada. Ela estava toda encolhida embrulhada por sacos plásticos e como colchão tinha um papelão.

Lembrei que como todos os dias acordei reclamando por ser cedo e me dizendo o quanto eu queria voltar a dormir. Olhando novamente, me senti mal por reclamar daquilo que aquela garota não tinha e eu tendo não valorizava.

A gente não percebe quando reclama, mas isso é tão egoísta e mesquinho. Reclamamos da quantidade de trabalho enquanto milhões de pessoas queriam um emprego, reclamamos da comida enquanto milhões morrem de fome, reclamamos de tudo o que temos mesmo sem perceber. A insatisfação humana nos torna ingratos com aquilo que a vida nos deu.

O motorista sempre deixa o rádio tocando enquanto nos leva ao trabalho. De repente tocou essa música, eu nunca tinha ouvido, mas achei a letra muito parecida com a imagem que eu vi logo cedo.

Anjos das ruas



Andando pelas ruas
Eu vejo algo mais do que arranha-céus
É a fome e a miséria
Dos verdadeiros filhos de Deus

Vejo almas presas chorando em meio a dor
Dor de espírito clamando por amor

Anjos das ruas
Anjos que não podem voar
Pra fugir do abandono
E um futuro poder encontrar

Anjos das ruas
Anjos que não podem sonhar
Pois a calçada é um berço
Onde não sabem se vão acordar

Às vezes se esquecem que são seres humanos
Com um coração sedento pra amar
Vendendo seus corpos por poucos trocados
Sem medo da morte o relento é seu lar

A gente fecha os olhos pra essa situação por que é uma verdade inconveniente. Com medo da assombrante violência evitamos nos aproximar e nos vendamos pra essas pessoas.
Eu me incomodei com o que vi, mas me incomodei muito mais ao rever o quanto já tinha me vendado pra essa situação, o quanto fui ingrata a tudo o que eu tenho.

Agora chove muito, eu tô aqui protegida dentro de casa, mas aquela moça deve estar na rua, provavelmente toda molhada e com frio. Talvez não tenha comido nada hoje ou esteja doente. Eu, você ou qualquer pessoa poderíamos estar no lugar dela, então já que não estamos, o mínimo que devemos fazer é sermos gratos por tudo o que temos e que podemos conseguir.

sábado, 27 de março de 2010

O Leão Covarde




O ser humano é como o Leão Covarde, do Mágico de Oz. Tem uma figura imponente, mas é extremamente covarde. Sua coragem só é demonstrada em situações de muita necessidade.

Se esconde atrás da personalidade que acha ter, se acha soberano diante das coisas, quando na verdade sente vontade de estar debaixo da cama.

Quantas vezes você já ouviu por aí: "Eu não tenho medo de nada"; "Eu digo o que penso"; "Eu faço e aconteço" e tantas outras demonstrações de bravura e coragem, que ficam apenas nas palavras?

Eu já fui daqueles que disse "Eu não tenho medo de nada" e "Eu digo o que penso". Só que a vida me mostrou que o medo é necessário, é ele que nos protege em algumas situações e impulsiona a ter algumas atitudes.
A vida me mostrou também que nem sempre você pode dizer o que pensa. E isso não faz de você um hipócrita, o que te faz hipócrita é viver aquilo que você não acredita ou pregar aquilo que você não faz.

Ser sincero é acreditar e por em prática o que você acredita. É expor seu posicionamento diante das coisas,só que algumas pessoas confundem ser sincera com ser grosseira. Você ser sincero não é agredir o outro nem impor sua opinião, é você dizer o que pensa, mesmo que seu ouvinte não concorde.

Uma das características da covardia humana é apontar no outro aquilo que vê em si e não tem coragem de assumir. É o famoso "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", geralmente o defeito do outro que te incomoda é a reflexão do teu defeito.

Como minha vó dizia: Quem fala demais dá bom dia pra cavalo. Ter personalidade não é bradar aos quatro ventos o que você faz e acredita. Personalidade são nossas características, qualidades e individualidades, portanto personalidade todos nós humanos temos. O que diferencia é você por em prática ou simplesmente dizer que tem.
Quem vive bradando que tem personalidade e as atitudes mostram que não a cumpre acabará dando bom dia pra cavalo.

O ser humano é mutável, adapta-se as circunstâncias. Mudar não significa ser fraco, significa ser flexível. É bom parar um pouco e reavaliar atitudes, faz bem e nos torna melhores.

Pense, reflita se você é o que diz ser, se não for, comece a ser ou então não diga quem é.

P.S.: Este post é uma opinião pessoal e não uma verdade. E antes que digam que eu não tenho personalidade e fico mandando recado em post, isto não é direcionado a ninguém, apenas devaneios da minha louca cabeça.

Bjus

terça-feira, 16 de março de 2010

Cotidiano

- Cara, sábado retrasado aconteceu uma coisa que mudou minhas atitudes. Não consigo esquecer o que aconteceu.
Eu ouvi isso de um amigo no domingo, só não imaginava o que ouviria a seguir.
- Eu vi uma pessoa ser assassinada. Estava parado no sinal e chegaram dois caras numa moto, um deles desceu e começou a atirar em direção a um senhor. Ele corria em volta da bomba de gasolina tentando fugir, mas não conseguiu. Foi atingido nas costas e caiu, o cara chutou a cara dele e deu mais dois tiros no rosto. Ele tem teve a oportunidade de se defender, o cara subiu na moto e saiu calmamente como se não tivesse feito nada. Isso foi às 6:30 da manhã.

Enquanto ele falava, a imagem da cena se formava na minha cabeça, entrei em choque. Fiquei ali parada, ouvindo ele falar.

Hoje abro o R7.com e me deparo com a seguinte notícia: "Homem mata mulher por multa em locadora". Me vieram na mente as palavras que ele disse depois de me contar o fato. "A vida não vale mais nada", "Eu saí pra almoçar, olhei ao redor e fiquei imaginando quem ali poderia não gostar de mim, quem poderia querer me matar. A gente não pode ter inimigos, não dá pra saber se vai acordar vivo ou não".

Nem precisa ter inimigos e nem precisa ter motivos, hoje morre-se por nada. Um par de tênis, uma multa, uma discussão, um prato de comida tudo isso vira motivo pra tirar a vida de alguém.

É um ser humano. É uma vida, uma história que está sendo terminada por motivos banais. E com ela se vão outras vidas, a vida da família que chora a dor da perda, a vida dos amigos que sentem a falta de quem foi. Não se mata somente quem recebeu o tiro ou a facada, mata-se também um pedaço em diversas pessoas. Matam-se projetos inacabados e sonhos não realizados, matam-se histórias que ficam imcompletas sem o pai, a mãe, o filho, o irmão ou o amigo.

Quantos João Hélio, Gabriela, Isabella Nardoni, Glauco e tantos outros deverão ir pra que a gente perceba o que tá acontecendo?
Ou você vai esperar seu pai, sua mãe ou alguém que você ama muito morrer pra se indignar?

Eu não conheci o cara que meu amigo viu ser assassinado, não sei se ela era uma boa pessoa ou não, mas me revoltei com isso. É um absurdo algo assim acontecer. E mais absurdo ainda é saber que quem fez isso tá impune, vivendo como se não tivesse feito isso, enquanto uma família chora a perda de um ente.

Enquanto a população assiste Big Brother e discute quem sai no paredão, exatamente agora uma pessoa está sendo assassinada no mundo e daqui a 12 minutos uma pessoa será assassinada do Brasil. No entanto, a probabilidade do assassino ser condenado é de apenas 1%.

Mas é isso aí, só se torna um problema seu quando é você que chora em cima do caixão. Até isso acontecer, sua vida seguirá normalmente alienada.

Enquanto escrevo esse post uma música toca na minha cabeça: O Calibre - Paralamas do Sucesso.

Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei, da onde vem o tiro

Por que caminhos você vai e volta?
aonde você nunca vai
e que esquinas você nunca para?
à que horas você nunca sai?
Há quanto tempo você sente medo?
Quantos amigos você ja perdeu?
Entrincheirado vivendo em segredo
e ainda diz que não é problema seu

E a vida já não é mais vida
no caos ninguém é cidadão
as promessas foram esquecidas
Não há estado, não há mais nação
perdido em números de guerra
rezando por dias de paz
não ve que a sua vida aqui se encerra
com uma nota curta nos jornais

Fica representado nessa música tudo aquilo que eu quero dizer. Não quero rezar pedindo paz, quero simplesmente tê-la!

domingo, 14 de março de 2010

Um banho de realidade

Mais cedo levei o carro pra lavar. Enquanto esperava fiquei pensando na vida.

Os lavadores eram todos novos, alguns eram meninos com seus 13, 14 anos. O rapaz que lavava meu carro deveria ter a minha idade. Fiquei olhando aquela cena: Aqueles meninos sob o sol escaldante que faz hoje e completamente molhados. Comecei a imaginar que deveriam estar ali há horas, tentando imaginar a quantia irrisória que ganhariam ao final do dia e que esse valor não compensaria tanto trabalho.

Fiquei observando por um bom tempo, enquanto eles trabalhavam ou ofereciam seus serviços aos carros que passavam. Comecei a me indagar a história de cada um ali. O que os levaria a estar trabalhando enquanto deveriam estar aproveitando o domingo.

Lembrei de uma observação que minha irmã fez ontem a noite, ela disse lamentar por ser a única do trio de amigas que parecia ter um futuro. Uma já e mãe e a outra não estuda.

Pensei em como a vida é cruel com alguma pessoas e boa com outras. Eu sempre tive uma vida financeira que me permitiu estudar e não precisar trabalhar. Isso me garantiu um bom emprego e independência financeira que me permite viver confortavelmente.
Mas aqueles meninos não tiveram e nem tem isso. Enquanto eu acordava as 13h após uma noite de farra, eles trabalhavam.

Não sou hipócrita e nem vou me fazer de caridosa, mas ver aquilo me comoveu de algum jeito. Queria vir pra casa pra escrever isso, talvez como um forma de aliviar esse choque de verdade.

Você sabe que essas coisas existem mas é muito estranho quando elas são esfregadas na sua cara. Tomei um banho de realidade hoje.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O fantástico mundo do twitter



Gosto muito do twitter. Gosto da interatividade que a ferramenta gera. Conversando com uns amigos numa bela noite, a @Daianasouza disse uma frase que me chamou atenção: "O Twitter daria um estudo de personalidade, muitas pessoas podem ser estudadas ali".

Rememorando o que já tinha visto e observando nos últimos dias, reparei algumas curiosidades que descrevo a seguir:

Os 140 caracteres, em alguns casos tiram o sentido do que foi dito pela falta de informações;

Os mesmos 140 caracteres, ao meu ver, geram um conflito de interpretação. Por causa do espaço limitado, as vezes o que se é dito perde o sentido original;

Algumas pessoas usam a ferramenta para conversas ou discussões, ou como alguns dizem "como msn";

Alguns acreditam que haja a obrigação do seguido segui-la, esquecendo que twitter não é orkut. E essa é uma das funcionalidades que me atraem, a liberdade de escolha;

Outros tantos buscam seguidores desesperadamente, como uma forma de tornar-se ou mostrar-se popular. Nessa busca seguem pessoas que não influem, apenas para demonstrar quantidade;

Outros criticam o que é escrito pelos demais, esquecendo que cada um tem a liberdade de twittar o que quiser;

Alguns se ofendem pelo que é dito de si, mas falam dos outros sem se importar se está ofendendo ou não, as famosas IM - Indirect Messages;

Algumas pessoas tem a famosa mania de perseguição. Absorvem pra si todos os comentários, criticas e elogios;

Os avatares dominam os criadores: alguns se tornam reféns dos personagens, sem diferenciar o que é personagem o que é o "eu". Isso é bom, pois você tem a dimensão de quem a pessoa é de verdade ao comparar suas atitudes na ferramenta e no dia a dia.

São criados os famosos "fakes". Alguns famosíssimos como @Nairbello e @mussumalives. Outros são criados por motivos pessoais;

Grande parte das empresas cria um perfil e o abandona, twitta esporadicamente ou twitta apenas promoções;

Boa parte dos que fazem twitter não entendem a ferramenta e a abandonam;

Há uma aparente necessidade de impressionar o outro;

Algumas relações saem do mundo virtual e tornam-se extremamente fortes na realidade. Alguns tem uma "amizade" sólida na twittosfera e na vida real não conseguem interagir;

A interação gerada pela ferramenta. Exemplos disso são as campanhas criadas em prol das últimas tragédias no Haiti, Chile e Angra dos Reis;

Tem várias outras curiosidades que eu devo estar esquecendo. Mas o intuito principal deste post é mostrar a diversidade que a ferramenta envolve. Os aspectos emocionais e uma interação que muitas vezes não vemos no dia a dia. O amor e o ódio por pessoas que algumas vezes nem conhecemos. A necessidade de impressionar pessoas que desconhecemos;

A passionalidade que temos ao aderirmos a uma causa ou uma amizade;

Com o passar do tempo e conhecendo as pessoas temos a noção de quem é avatar e de quem é real. Nos decepcionamos com algumas delas, nos apaixonamos por outras. Vivemos bons momentos graças a um site que tornou-se uma ferramenta quase indispensável. Quem imaginaria que um dia a tecnologia seria capaz de tais feitos?

Eu gosto do twitter e das mudanças que ele me trouxe. Discordo de algumas coisas que acontecem na rede, mas nem tudo são folders, não é?


P.S.: O post acima é uma opinião pessoal e não uma verdade. Você pode concordar e tem todo o direito (e o dever) de discordar. Independente de sua opinião deixe seu adendo nos comments.
Aos maníacos que se identificarem com algum tópico: não, eu não estou falando de vc, ok.

Bjumetwitta

segunda-feira, 1 de março de 2010

Aprendi.

Esses dias tem sido meio estranhos, muita coisa tem acontecido, tanto boas como ruins. São nessas horas que você percebe a si e aos outros naquilo que realmente somos: humanos.
É na hora que choramos que conhecemos nossas fraquezas e fortalezas, nossos reais amigos, que percebemos o tamanho da nossa compaixão e do nosso egoísmo ao amparar o outro ou pedir atenção.

Eu nunca fui dada a sentimentalismos, não era muito de contato físico, carinhos essas coisas. Na realidade sempre fui egoísta, essa é a palavra que melhor define. Nos últimos tempos eu tenho tido a oportunidade de experimentar novos sentimentos e colocá-los a disposição dos outros.

Quando você esta no olho do furacão, nada faz sentido. Você não entende o motivo da situação e do porque é você que está passando por ela. Chora, esperneia, espragueja, mas nada adianta pois o sofrimento não vai embora.

Assim que o furação passa você consegue perceber seu amadurecimento e até ri da imaturidade que teve no momento difícil. E quando menos espera vem a oportunidade de ver o que restou de bom.

Nos últimos dias tive a oportunidade de me por a prova em algumas amizades, ajudar amigos que precisavam de um conselho, reconhecer um grande erro perante um amigo e tornar ponto de apoio de quem precisava.

Sinceramente me espantei comigo mesma. Me percebi amadurecida e segura. Atenta a quem precisava de mim, paciente ao ouvir os desabafos. Me sensibilizando com a dor alheia.

Olho pra trás e vejo que aquela garota que pedia e não dava atenção, já não existe mais, que deu lugar a uma outra melhor. Vejo que o que não me matou me fortaleceu.
Se alguém me dissesse que hoje seria melhor que antes e que eu me sentiria melhor graças a tudo o que passei acharia loucura.

Eu sei que dói e dói muito. Por mais que não acreditem agora, essa dor vai passar e vai ser o início de uma nova era. Tudo tem o lado bom, até a dor. É com ela que aprendemos a não nos machucar, que vemos nossos amigos ao redor enxugando nossas lágrimas, que temos desculpa pra tomar um pote de sorvete sozinhos.

A gente só consegue olhar o mundo quando abre os olhos. Enquanto eles estão fechados e cheios de lágrimas, só vemos aquilo que sentimos e não o que realmente é. Abra os olhos, enxugue as lágrimas e verás o mundo que te espera lá fora.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Velocidade do pensamento

Sabe quando o tudo parece desandar? As coisas não dão certo, as pessoas te magoam ou você as magoa. Bem hoje comigo não é assim.

Ontem enquanto dirigia, vendo o velocímetro subindo cada vez mais pensava na minha vida. Na última decisão tomada e nas consequências dela.

E percebi o óbvio mais uma vez, minha ansiedade em resolver ou evitar os problemas me fez mais uma vez meter os pés pelas mãos.

A decisão que eu tomei, por mais errada que seja, eu tomei tentando proteger alguém que amo demais. Tá tudo bem, foi idiotice, mas foi uma prova do carinho que eu tenho por este alguém.

Eu queria muito dizer isso pra ele, mas parece que é mais facil dizer sem olhar nos olhos dele. Ver o rostinho me encarando com aquele olhar de sempre me faz sentir mais culpada.

Mas a culpa é minha mesmo, sou muito afoita e faço besteira. Mas esse é mais um pedido de desculpa.

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto... William Shakespeare

Então por mais errada que eu seja, eu tenho uma certeza.

Te adoro