- Cara, sábado retrasado aconteceu uma coisa que mudou minhas atitudes. Não consigo esquecer o que aconteceu.
Eu ouvi isso de um amigo no domingo, só não imaginava o que ouviria a seguir.
- Eu vi uma pessoa ser assassinada. Estava parado no sinal e chegaram dois caras numa moto, um deles desceu e começou a atirar em direção a um senhor. Ele corria em volta da bomba de gasolina tentando fugir, mas não conseguiu. Foi atingido nas costas e caiu, o cara chutou a cara dele e deu mais dois tiros no rosto. Ele tem teve a oportunidade de se defender, o cara subiu na moto e saiu calmamente como se não tivesse feito nada. Isso foi às 6:30 da manhã.
Enquanto ele falava, a imagem da cena se formava na minha cabeça, entrei em choque. Fiquei ali parada, ouvindo ele falar.
Hoje abro o R7.com e me deparo com a seguinte notícia: "Homem mata mulher por multa em locadora". Me vieram na mente as palavras que ele disse depois de me contar o fato. "A vida não vale mais nada", "Eu saí pra almoçar, olhei ao redor e fiquei imaginando quem ali poderia não gostar de mim, quem poderia querer me matar. A gente não pode ter inimigos, não dá pra saber se vai acordar vivo ou não".
Nem precisa ter inimigos e nem precisa ter motivos, hoje morre-se por nada. Um par de tênis, uma multa, uma discussão, um prato de comida tudo isso vira motivo pra tirar a vida de alguém.
É um ser humano. É uma vida, uma história que está sendo terminada por motivos banais. E com ela se vão outras vidas, a vida da família que chora a dor da perda, a vida dos amigos que sentem a falta de quem foi. Não se mata somente quem recebeu o tiro ou a facada, mata-se também um pedaço em diversas pessoas. Matam-se projetos inacabados e sonhos não realizados, matam-se histórias que ficam imcompletas sem o pai, a mãe, o filho, o irmão ou o amigo.
Quantos João Hélio, Gabriela, Isabella Nardoni, Glauco e tantos outros deverão ir pra que a gente perceba o que tá acontecendo?
Ou você vai esperar seu pai, sua mãe ou alguém que você ama muito morrer pra se indignar?
Eu não conheci o cara que meu amigo viu ser assassinado, não sei se ela era uma boa pessoa ou não, mas me revoltei com isso. É um absurdo algo assim acontecer. E mais absurdo ainda é saber que quem fez isso tá impune, vivendo como se não tivesse feito isso, enquanto uma família chora a perda de um ente.
Enquanto a população assiste Big Brother e discute quem sai no paredão, exatamente agora uma pessoa está sendo assassinada no mundo e daqui a 12 minutos uma pessoa será assassinada do Brasil. No entanto, a probabilidade do assassino ser condenado é de apenas 1%.
Mas é isso aí, só se torna um problema seu quando é você que chora em cima do caixão. Até isso acontecer, sua vida seguirá normalmente alienada.
Enquanto escrevo esse post uma música toca na minha cabeça: O Calibre - Paralamas do Sucesso.
Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei, da onde vem o tiro
Por que caminhos você vai e volta?
aonde você nunca vai
e que esquinas você nunca para?
à que horas você nunca sai?
Há quanto tempo você sente medo?
Quantos amigos você ja perdeu?
Entrincheirado vivendo em segredo
e ainda diz que não é problema seu
E a vida já não é mais vida
no caos ninguém é cidadão
as promessas foram esquecidas
Não há estado, não há mais nação
perdido em números de guerra
rezando por dias de paz
não ve que a sua vida aqui se encerra
com uma nota curta nos jornais
Fica representado nessa música tudo aquilo que eu quero dizer. Não quero rezar pedindo paz, quero simplesmente tê-la!
O suicídio e a imprensa
Há 8 anos
ola, tento falar com vc no twitter mas esta bloqueada. como faz pra falar com vc?????????????
ResponderExcluirse puder me axe por lá ok
michele mourão