Depois do sucesso da palestra com o Dr. Rogério, subimos pra comemorar. No meio das conversas regradas a muita alegria e descontração, caiu uma bomba. A sobrinha de uma colega de trabalho faleceu, ela estava dentro do avião que havia explodido na tarde daquele dia em Manaus.
Lementei pelo ocorrido, ainda mais da forma como aconteceu. Ouvi minha chefe dizer: "São nesses momentos em que pensamos no que fazemos da nossa vida". Eu entrei em choque ao ouvir isso. Pela primeira vez na vida eu senti verdadeiramente o medo de morrer. Fiquei ali digerindo a informação e pensando que podia ter sido eu ou qualquer outra pessoa.
E imaginando o quanto somos fragéis. O quanto somos fracos diante da dor, do desespero. A colega que perdeu a sobrinha é uma mulher altiva, que põe abaixo o maior dos marmanjos. E olhá-la ali tentando encontrar as palavras e um rumo a tomar, mostrou a fraqueza que surge mesmo nos mais fortes.
Fiquei ali, sentada ouvindo todos a confortando e tentando entender o que se passava comigo. Na minha cabeça vinham as brigas, as mágoas e todas as coisas inacabadas e o pensamento do que fazer com tudo aquilo. Um aperto desesperador no peito me consumia junto com os pensamentos, enquanto eu procurava palavras para consolá-la e para me acalmar.
Se eu disser que fiquei assim pela menina que morreu, será mentira. Eu não a conhecia, nem sabia de sua existência. Fiquei mal por ver a fraqueza, o desespero da tia que perdia uma sobrinha. E por pensar na vida.
E se eu morresse? E se eu não chegasse em casa? E se eu não conseguisse resolver as coisas inacabadas ou as mágoas que ficaram? E se eu não tivesse tempo de dizer eu te amo a quem amo?
Me perguntei coisas que nunca havia me perguntado.
Dias depois eu soube que ela consegiu sair do avião, mas torceu o pé e caiu. Nesse exato momento o avião explodiu e ela por estar perto da aeronave, não conseguiu escapar. Fiquei pensando que ela tentou lutar, tentou viver, mas foi tragada pelo destino. Era a hora dela e por mais que ela quisesse viver, continuar as coisas inacabadas ela não pode.
A gente perde muito tempo com coisas inúteis e desperdiça as coisas que realmente importam. Nos importamos com o que os outros pensam de nós e deixamos de fazer o que queremos pra ter uma imagem melhor aos olhos dos outros. Nos preocupamos em não demonstrar sentimentos pra não parecer fraco, em brigar por coisas ínfimas, em julgar o que nos é diferente e as atitudes alheias, em carregar mágoas antigas, em odiar pessoas por nada. Esquecemos de curtir os momentos felizes, de demonstrar amor a quem amamos, de rir sem se preocupar se vai parecer louco ou idota, de falar o que sentimos, de fazer o que queremos mesmo se isso desagrade a alguns, de brigar por quem amamos, em respeitar as diferenças e os diferentes, esquecemos de viver.
Passamos tempo demais nos preocupando em ser algo que muitas vezes não somos. Trabalhamos horas em salas fechadas enquanto o sol se põe lá fora, ficamos horas na frente do computador enquanto a chuva cai, preferimos uma conversa mediada a olhar nos olhos das pessoas. Fingimos sentir ou querer coisas pra ficar melhor com o chefe, fechamos os olhos pras mazelas que nos batem a porta.
Trabalhar todo mundo precisa, internet todo mundo gosta, reconhecimento profissional todo mundo quer. Mas a que preço? Todos vamos morrer, cada um tem sua "hora" definida pelo destino e quando ela chegar, não haverá tempo pra corrigir erros ou realizar desejos.
Como dizem por aí: Só se leva da vida a vida que se leva, então leve um vida maravilhosa. Seja feliz com você mesmo e com os outros, seja para os outros o que você quer que sejam pra você.
Ria, chore, ame, dance, cante, se divirta. Não espere perder pra se culpar pelo que podia ter feito ou dito.
Fico por aqui querendo e me esforçando por uma vida que valha a pena, muito mais do que vem valendo e desejando que você também tenha anseie por isso.
Deixo duas músicas que eu acho expressar bem o tema do post: É preciso saber viver e Epitáfio, dos Titãs.
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