terça-feira, 11 de maio de 2010

E nem tudo são folders

Eu lembro que com 6 anos, passando na Jorge Teixeira vi um outdoor da Fatec que me chamou atenção por uma única palavra: MARKETING. Eu não sabia o que significava aquela palavra, mas achei bonita e decidi naquele dia que faria da minha vida: Marketing.

Fui crescendo e esqueci aquela "séria" decisão tomada pro meu futuro. Quando comecei a me preocupar com qual faculdade faria, uma única e primeira opção apareceu na minha mente: Publicidade e Propaganda.

Minha mãe conta que com 2,3 anos eu assistia muita Tv e quando ela chegava do trabalho eu sabia todas as propagandas. As contava pra minha mãe, ou melhor, contava a minha versão delas. Com 3 anos, quando ainda não sabia ler, pegava o jornal e "lia" as notícias criadas por mim. Sempre gostei de criar e imaginar coisas.

Mesmo quando não sabia quase nada, essa paixão me acompanhava. Não sei como começou, nem onde vai terminar. Só sei que não sei fazer outra coisa que não seja trabalhar com comunicação. É isso que me faz levantar as 6h da manhã mesmo caindo de sono. É isso que com que eu engula certos sapos do funcionalismo público, é o que me faz ficar louca organizando eventos. É o que me dá paz quando olho o evento dando certo.

Meu maior medo sempre foi trabalhar em algo que não gostasse. Mas tive a sorte de ter passado por lugares onde pude trabalhar com comunicação. Também me propus a ser melhor sempre pra não ser mais uma na multidão.

Aí vem a faculdade, aquela gana de mudar o mundo. De ser o novo Washington Olivetto e ditar as regras do jogo. Entusiasmo de primeiro semestre, de calouro que acha que a publicidade é só o glamour que aparenta. Aí vem os trabalhos, as provas e aquela sala lotada vai esvaziando. Com esse esvaziamento vem a constatação que nem tudo são "folders".

O entusiasmo vai diminuindo e você vai caindo na real, ao ver certas coisas acontecerem. Então você percebe que está numa fabrica. Fábrica de diplomas, de profissionais imcompetentes (desculpem a expressão), se é que podem ser chamados de profissionais.

Ontem vi o melhor professor entregar os pontos, por estar decepcionado com o nível dos alunos, pela falta de motivação e pela falta de uma política educacional na faculdade, que deveria prezar por isso. Ouvir ele dizer que apesar de amar dar aulas vai parar porque não consegue mais é complicado.

Hoje ouvi meu pior professor - que mais enrola, que nunca dá aula - nos dizer, cheio de uma falsa moral, que estamos enrolando ele porque não entregamos um trabalho. Que nada mais é do que um job que ele nos obrigou a fazer pra pegar todo o mérito.

Confesso que as atribuições do trabllho se tornaram minha prioridade e juntamente com a decepção, fizeram com que eu deixasse a faculdade um pouco de lado.

Tô decepcionada, muito mesmo. E também revoltada, é absurdo pagar uma mensalidade alta, atravessar a cidade (eu moro no centro e a Uniron fica na zona leste) pra não ter aula. Pra ver o cara que deveria te passar conhecimento, enrolar na maior cara dura.

Infelizmente não é só no meu curso, ao sair da sala ouvi uma menina que passava dizer "Mais um dia perdido" porque ela também não teve aula.

Na minha concepção, faculdade é o lugar onde você se prepara pra exercer a profissão que escolheu e não uma empresa, que por sinal presta péssimos serviços.
Como disse meu professor ontem "Vocês saem daqui piores do que entraram, saem medíocres, vocês estão aqui enquanto podiam estar lendo um livro, vendo um filme, se divertido" Que certamente seria mais proveitoso do que certas "aulas".

Pra quem tá comprando um diploma não faz diferença, mas pra quem tem um sonho isso é revoltante.

E o mais irônico é o slogan da faculdade: Uniron, Aqui tem futuro. Se o futuro for pessimista, realmente, ali tem futuro.

Como diz o ditado: Decepção não mata, ensina a viver. Tudo bem, mas por hoje meu sonho tá morto.

P.S.: Desculpem algumas expressões, mas estou muito revoltada pra tentar ser eufemista.

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