Hoje fiquei bestificada, sem palavras diante de uma situação.
Fomos à Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) entregar 75 kg de alimentos arrecadados na Palestra "Hermenêutica da Cordialidade", uma das fases do Projeto Conhecimento Solidário, desenvolvido pela Escola da Magistratura do Estado de Rondônia - Emeron.
Eu já sabia que não iria encontrar o melhor ambiente do mundo, entretanto a situação me deixou surpresa e revoltada.
A Apae atualmente se localiza em frente ao Posto de Saúde Ana Adelaide, em uma casa que em julho deverá ser desocupada. O motivo? Eles devem 18 meses de aluguel. Há apenas uma promessa, que não se sabe se será cumprida, feita pelo governo estadual de realocar a Apae em um dos antigos prédios da Esplanada das Secretárias (ideia essa que eu não acho viável, já que todos sabemos as más condições destes prédios, motivo que gerou a construção do CPA).
O prédio onde a Apae está hoje, é uma residência que foi adaptada as necessidades da instituição, mesmo assim não as atende totalmente. Há alguns cadeirantes na associação e a casa não é adaptada a este tipo de necessidade.
Visitando as instalações da Apae vimos o milagre que eles realizam com pouco espaço, poucos recursos e muita, mas muita boa vontade. Segundo uma das funcionárias, atualmente eles atendem cerca de 90 excepcionais, entre várias deficiências, e há uma lista de espera com mais 36 pessoas. Esta lista existe porque a instituição não possui estrutura pra atender mais pessoas. Já luta com dificuldades pra manter-se de pé com seus 90 estudantes.
O local não é adequado, falta espaço (só há uma sala de artesanato), são poucos professores (cedidos pela prefeitura), só há um servidor para cuidar da limpeza, servidor este que é pago com os poucos recursos da Apae. Há um ônibus para atender aos os estudantes que dependem dele pra ir a associação. Segundo a servidora que conversou conosco, eles recebem através de convênio R$ 24.000.00 para o combustível anualmente, isso mesmo anualmente. Para um ônibus que roda a cidade toda, nos mais longínquos bairros, isso é muito pouco. Esse dinheiro é somente para o combustível e não para manutenção. Ano passado, o ônibus ficou 8 meses parado pela quebra de uma peça e pela falta de recursos para repô-la. Com isso vários estudantes ficaram sem frequentar a instituição pela falta de condução. O motorista é pago através da contribuição mensal de R$ 50,00 dada pelos pais.
Aparentemente não há interesse da prefeitura nem do Estado para com a associação. A prefeitura colabora apenas com a cedência de professores e o Estado colabora com promessas. Por isso afirmo que eles realizam milagres, pois sem apoio nenhum mantêm-se de pé.
Na sala de artesanato fiquei impressionada com a qualidade nos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes. Não que eu duvidasse da capacidade deles, mas sim, pelo fato de realizarem um ótimo trabalho com poucos recursos. As peças são vendidas e o dinheiro arrecadado é utilizado para a reposição de material e nas despesas da associação. Como forma de recompensa, todo fim de ano eles ganham um mimo pelo trabalho feito no decorrer do ano. Os trabalhos realizados pelos estudantes, são incríveis, cada quadro lindo, artesanatos perfeitos.
O que mais me marcou é o amor que os servidores tem pela associação. Elas falam com um carinho do trabalho que desenvolvem apesar de todas as dificuldades. Mostram preocupação com os alunos e suas situações familiares, os procuram em caso de faltas seguidas, procuram ajudá-los no que podem.
Segundo as servidoras as maiores necessidades são as seguintes: produtos de limpeza, fraldas geriátricas tamanho G, um espaço adequado e maior, mais professores, mais convênios e mais recursos pra poder continuar o trabalho e principalmente oferecer um trabalho melhor.
Se você puder ajudar, ajude, eles precisam de todos nós.
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