terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cinema, pirataria, recorde e pipoca. Combinação perfeita?

Eu e muita gente adora cinema, quem não se encanta com as histórias, os efeitos especiais, as trilhas sonoras ou a beleza do mocinho do filme? Pois é, independente do seu gênero favorito o cinema tem muitas boas, e as vezes nem tão boas, histórias a nos oferecer.

Apesar dos malefícios econômicos para a indústria cinematográfica que deixa de receber os direitos autorais referentes às obras lançadas, a pirataria foi talvez a grande responsável pelo acesso em massa às obras cinematográficas no Brasil. Num país onde a maior parte da população ainda é carente de recursos, apesar da ascensão das classes C e D nos últimos anos, o valor dos ingressos em grande parte das salas de exibição ainda é o fator predominante para que a pirataria se estabeleça como forma majoritária de acesso aos lançamentos do cinema.

Podemos citar como exemplo o Cine Veneza, que durante anos manteve o monopólio cinematográfico em Porto Velho e foi "derrubado" pela pirataria que se instalou na Capital. Anos depois somou-se a esse quadro a chegada do Cine Araújo que obrigou o Veneza a melhorar sua estrutura, baixar os preços e unir-se ao Cine Rio, como forma única de sobrevivência a ambos.

Durante anos, acompanhamos o declínio do cinema nacional e a hegemonia de filmes internacionais nas salas de exibição pelo país. Apesar da retomada da produção nacional, que nos últimos anos vem lançando grandes sucessos de bilheteria e crítica, vide Central do Brasil, Cidade de Deus, Carandiru, Se eu fosse você 1 e 2, Tropa de Elite 1 e 2 e mais recentemente De pernas pro ar, as produções tupiniquins ainda competem com um número bem maior de filmes estrangeiros que no fim acabam levando a melhor.

Apesar de ainda não competir em pé de igualdade com os filmes estrangeiros, o cinema nacional vem batendo recordes de público. De acordo com o portal especializado Filme B, o público para filmes nacionais teve aumento de 60% em comparação a 2009, pulando para 25,5 milhões de espectadores, o maior da retomada. A bilheteria alcançou expansão ainda maior: 71%, total de R$ 225 milhões.

Três longas produzidos no país entraram no Top 10 do ano – o recordista "Tropa de Elite 2" na primeira posição com público de 11,01 milhões de espectadores, "Nosso Lar" com 4,05 milhões e "Chico Xavier" com 3,41 milhões. Com isso, a participação do cinema nacional no mercado foi de 19%, o segundo melhor índice da década, ficando atrás somente de 2003 (22%). A explosão de salas com tecnologia 3D está relacionada a esse desempenho e a expansão só não foi maior pela falta de equipamentos disponíveis no mercado.

O cinema nacional vem caminhando a passos largos para quem sabe um dia, tornar-se maioridade nas produções exibidas nas salas pelo país. Mas enquanto isso não acontece, aproveitemos as produções nacionais e internacionais em cartaz.


Fontes: IG Total de 2010 confirma recorde para cinema brasileiro http://bit.ly/hbETU2
UFMA Queda no público do cinema nacional http://bit.ly/g2s8Zm

Consultoria: Marcos Souza Gomes

Um comentário:

  1. O cineveneza e o Cine Rio, assim como o Cine Brasil, sempre foram da mesma dona.
    O problema enfrentado pela dona dos mesmos foi a chegada do Shopping com o cinema, pois não conseguiu se instalar no novo ponto de encontro popular, fazendo que o local de seus cinemas não fosse mais estratégico. O Shopping puxou o foco da cidade, quanto a procura de entretenimento familiar.
    Porém isso tudo deve acabar com a chegada do novo Shopping, pois a dona dos cinemas em questão conseguiu parceria para compra de todas as salas que nele forem construídas.

    Marcos Waltenberg, enviado via iPhone 4

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