quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lar, amargo, lar...

Ja ouvi falar várias vezes que as coisas se inverteram: que os cidadãos de bem se trancam com medo dos bandidos a solta. E muitos desses bandidos possuem boas vestes e cara de cordeiro, soltando o lobo aprisionado no momento oportuno.

Vivemos num mundo onde não sabemos em quem confiar, muitas vezes aqueles que nos parecem dignos de confiança nos traem da maneira mais vil. Mães, pais, familiares espancando, roubando, matando e violentando aqueles que lhes deram amor e confiança.

Minha avó sempre dizia que devemos cativar os vizinhos, pois eles se tornam nossa segunda família e no caso de um incidente serão os primeiros a ajudar. Mas o que fazer quanto o vizinho em questão é o lobo em pele de cordeiro e não sabe conviver em sociedade?

Esse tipo de conflito é comum em condomínios e edifícios, onde o espaço individual é ínfimo comparado ao espaço coletivo. E a maioria das pessoas quer transformar o coletivo em individual e acaba invadindo o direito do outro. Isso causa uma dor de cabeça ao síndico e aos condomínos. Isso gerou o quadro do Fantástico: "Chame o síndico!"

Agora como agir se não se trata de um condomínio e sim de uma residência, onde o espaço de cada um é delimitado por muros e mesmo assim há interferência alheia?
Se não há síndico pra mediar o conflito? E se não há lei para aquele que incomoda?

Quando você se muda pra uma residência nova, seja ela em condomínio ou não, há muitos sonhos e desejos pra esta realização. Infelizmente alguns deles acabam se tornando pesadelo. No começo tem aquela receptividade (muitas vezes hipócrita), depois vem a convivência e a descoberta de cada um.

Aquele vizinho prestativo do início se torna o mau humorado que arruma briga por tudo, a vizinha gentil se torna a fofoqueira que controla cada passo alheio e o filho do vizinho metido a engraçadinho se torna um problema infernal.

Todo mundo tem defeitos, isso nos torna humanos, entretanto é dever de cada um saber que o defeito que é inofensivo pro dono pode ser ofensivo pro outro. Todo mundo gosta de música, entretanto o seu vizinho pode não gostar do mesmo estilo musical que você, então não é obrigado a passar o dia inteiro sendo torturado pelo mal gosto alheio.

Todas as famílias brigam, porém isso não deve se tornar um espetáculo teatral no meio da rua. Os vizinhos não são obrigados a aturar a baixaria de quem não tem classe.

Crianças são fofas, desde que não resolvam brincar às 07h da manhã de um domingo e resolvam testar suas cordas vocais.

E por aí vai, você que lê agora deve ter se identificado com pelo menos uma situação dessas. Pois é, todo mundo passa por isso.

Mas e quando você não pode fazer nada? Quando tem as mãos atadas?

Muita gente conhece o filme "Meu vizinho mafioso", eu praticamente vivo esse filme. Meu vizinho, um cidadão "honesto" e pai de familia, empresário que com muito "esforço" vem expandindo suas pizzarias não passa de um chefe de quadrilha de roubo que alicia menores para furtos e usa as pizzarias pra lavar dinheiro e fazer fachada.

Um cara que já fez muitas famílias chorarem seja por ter seus pertences - conquistados com esforço - roubados ou por ter seus filhos aliciados pro crime. Alguém que se acha o dono do mundo e que gosta de subjugar as pessoas, que não sabe conviver com as regras e muito menos respeitar o próximo.

Imagine o inferno que é viver próximo a alguém assim. Vizinho mau humorado, fofoqueiro ou criança berrando é fichinha perto disso.

Já pensou em pedir licença pra entrar na sua casa? Eu não só pensei como faço isso constantemente, minha casa vira estacionamento dos clientes da pizzaria quase todas as noites. Clientes que ainda se irritam por eu pedir pra entrar na MINHA casa, por eu pedir pra tirar o carro da MINHA garagem. Absurdo, não?

Sabe o que eu posso fazer? NADA. Pois a polícia alega não ter o que fazer e a Semtram ainda não tem efetivo noturno, só me resta implorar pra entrar na minha casa.
Som alto o dia todo, barracos a qualquer hora, uma moto barulhenta sendo acelerada de propósito em frente ao portão nos horários mais inoportunos, indiretas, ameaças veladas, tudo isso tem que ser suportado pela vizinhança que está de mãos atadas.

Afinal, quem se arrisca a mexer com bandido? Acho que ninguém, afinal todos zelamos por nossas vidas e de nossos parentes.

De saco cheio todo mundo está, mas infelizmente, num país onde tudo vira bosta, uma pessoa como essa que já foi condenada e presa várias vezes consegue nas brechas da lei um refúgio pra virar um "cidadão de bem" e poder cometer essa tortura psicológica.

A polícia não tem nada a fazer, os fiscais da prefeitura não encontram irregularidades, a Justiça não cumpre o seu papel punindo essa criatura, então o que resta para aqueles que trabalham o dia todo pra construir algo honestamente? Resta engolir abuso de uma pessoa que se acha melhor que os demais? Será que é isso? Será que seremos expulsos quando não suportarmos mais?

Eu, assim como os demais que nesta rua habitam, só queremos paz. Paz que é destruída por uma única pessoa, que não merece compaixão ou pena. Eu, sinceramente, só desejo que uma pessoa assim se ferre muito na vida. Que pague por cada raiva, cada lágrima e por cada minuto de revolta e angustia que causou.

Preciso mudar de filme, quero sair do "Meu vizinho mafioso" e viver "Agora seremos felizes".

Um comentário:

  1. Não existe coisa melhor do que o nosso lar, mas quando ele é violado de maneira inconveniente por pessoas acéfalas e sem critério, tudo aquilo que esperamos de paz é destruído. Neuma já havia me contado o seu drama desde as nossas primeiras conversas há muiiiiito tempo e sempre fiquei revoltado com a situação. Não tiro o direito dela de dizer que quer o vizinho morra, pois além de não ser flor que cheire, ainda mantém a pecha de mau elemento da vizinhança, sem respeitar os direitos daqueles que moram ao seu lado. Isso é abuso da pior espécie. O texto de Neuma é detalhado, catártico e descreve com minúcias os desmandos de uma pessoa sem noção de respeito. Sinto pelo drama que ocorre. O seu texto passa toda a carga emocional que lhe angustia e reflete na natureza de desprezo que sente pelo seu vizinho. Quem dera a vida fosse fácil como queríamos, mas tenho certeza que esse tempo de "Meu vizinho mafioso" vai passar, para que ela encontre o seu "Agora seremos felizes".

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