
Filho de João Araújo, produtor fonográfico, e de Lucinha Araújo, Cazuza recebeu o apelido mesmo antes do nascimento. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu verdadeiro nome, somente quando descobre que um dos compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade, Angenor), é que aceita o nome de batismo.
Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza sempre teve contato com a música. Cresceu cercado pelos maiores nomes da Música Popular Brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. Influenciado desde pequeno pelos grandes nome da música brasileira, tinha preferência pelas canções dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Maysa, Dalva de Oliveira e outros. Era também grande fã da roqueira Rita Lee.
Por volta de 1965, ele começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó.
Em Londres conheceu o trabalho de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones tornando-se grande fã. Em São Francisco descobriu a literatura da Geração Beat, os poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira.
Em 1980 ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador, no Rio de Janeiro, cantando em público pela primeira vez.
Foi indicado por Leo Jaime a assumir os vocais de uma banda que estava se formando, surgindo assim o Barão Vermelho e uma mas duplas do rock mais elogiadas pela crítica: Cazuza e Roberto Frejat.
Apesar da pouca idade, Cazuza demonstrava uma maturidade poética incrível, que pode ser conferida em suas letras despudoradas, que falavam escancaradamente de amor, prazer e dor. Apesar das letras maravilhosas e do repertório da banda cheios de rocks básicos, dançantes, juvenis e blues, os dois primeiros discos venderam pouco, apesar da aceitação que tiveram no meio artístico. As rádios não tocavam a banda, situação que só mudou quando Caetano Veloso fez uma crítica as rádios e Ney Matogrosso gravou "Pro dia Nascer Feliz".
A banda que já tinha os sucessos "Todo amor que houver nessa vida" (1º disco) e Pro dia nascer feliz" (regravada por Ney Matogrosso), desponta ao criar "Bete Balanço" para trilha sonora do filme homônimo. O terceiro CD conta também com os sucessos "Maior abandonado" e "Por Que a Gente é Assim?".
Em 1985, o Barão Vermelho faz uma apresentação antológica na primeira edição do Rock in Rio. A apresentação da banda coincidiu com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar. Cazuza anuncia esse fato ao público e comemora cantando "Pro Dia Nascer Feliz".
Neste mesmo ano Cazuza segue carreira solo a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente. Surgem nessa época os primeiros sintomas da AIDS, doença que vitimou o poeta em 1990.
No ano seguinte é lançado o primeiro disco solo do artista, Só se for a dois, que trazia as canções "Só Se For A Dois", "O Nosso Amor A Gente Inventa", "Solidão Que Nada" e "Ritual". Já em 1987, após voltar dos EUA onde foi submetido a um tratamento para Aids, inicia as gravações de seu novo disco. Ideologia de 1988, inclui os hits "Ideologia", "Brasil" e "Faz Parte Do Meu Show". "Brasil" em versão de Gal Costa foi tema de abertura da novela Vale Tudo.
O Tempo Não Pára, gravado no Canecão durante a turnê do disco Ideologia, é lançado em 1989 tornando-se o maior sucesso comercial superando a marca de 500 mil cópias vendidas. A faixa "O Tempo Não Pára" torna-se um de seus maiores sucessos. Também destacam-se "Todo Amor Que Houver Nessa Vida" com um novo arranjo mais introspectivo, "Codinome Beija-Flor" e "Faz Parte Do Meu Show".
Em fevereiro de 1989, Cazuza declara publicamente que era soropositivo, numa entevista ao jornalista Zeca Camargo. A entrevista é lembrada por muitos, pelo modo como Cazuza divulgou a noticia:
- Escreve aí, escreve que eu estou com a maldita.
A declaração ajudou a criar consciência em relação a doença e os efeitos dela.
Durante as gravações do álbum Burguesia (1989), Cazuza já estava bem debilitado, numa cadeira de rodas e com a voz nítidamente enfraquecida. É um álbum duplo de conceito dual, sendo o primeiro disco com canções de rock brasileiro e o segundo com canções de MPB. Burguesia é o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias.
No dia 7 de julho de 1990, Cazuza perde a batalha contra a AIDS e morre aos 32 anos por um choque séptico causado pela doença. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Cazuza foi o símbolo da sua geração tornando-se um dos ícones da música brasileira do final do século XX. Cazuza também ficou conhecido por sua rebeldia, boêmia e polêmica. Declaradamente bissexual, vivendo sob o trinômio sexo, drogas e rock in roll, Cazuza viveu loucamente com direito a prisões e fichas na polícia, por porte e uso de drogas.
Hoje completa 20 anos sem Cazuza. Há 20 anos ficamos órfãos de suas poesias e de seu jeito despojado. Mas Cazuza está vivo no legado que deixou, nas paixões e revoltas que embalou com suas músicas. Enfim, o poeta está vivo.
Abaixo segue o vídeo de "O poeta está vivo" composição do Barão Vermelho em homenagem a Cazuza.
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