segunda-feira, 21 de junho de 2010

Coisas que só acontecem com a Neuma - A Chupeta

Depois de quebrar o salto no elevador do trabalho, de fugir da polícia de ré numa ladeira ela está de volta. É, é ela mesma: a Zica.

Nunca vi alguém pra se meter em tanta confusão como eu. Já aconteceu de tudo comigo. E hoje, pra iniciar (ironia) bem a semana não foi diferente.

Mas como tudo tem seu lado bom, a zica de hoje rendeu uma história engraçada. então, espero que dêem boas risadas da minha desgraça.

Lá vou eu, saindo linda e bela do Fórum em direção ao meu carro, parado do outro lado da rua. Pego a chave e destravo o alarme, automaticamente os vidros abrem. Entro no carro, coloco a chave na ignição e TCHARAM: não acontece nada. Tento de novo e não acontece nada.

Puta que pariu, o carro morreu. O que eu faço? Vou ligar pro Marcos.

Reviro a bolsa em busca do celular que por algum motivo desligou sozinho. Ligo o celular, ligo pro Marcos e ele não atende. Começo a entrar em desespero. Ligo de novo, ufa, ele me atendeu.

- Cara, você não sabe o que aconteceu. Meu carro não quer ligar, já tentei várias vezes, não liga.
- Como assim? Tá, tô indo aí.

E eu lá dentro do carro fazendo cara de paisagem, esperando o estacionamento esvaziar, morrendo de vergonha.

Ele chegou, pelo menos agora eu não vou passar vergonha sozinha.

- Neuma, isso é bateria.
- Mas como? Bateria começa a falhar, isso é indício que tem que trocar. Aqui não falhou, morreu de vez.
- Estranho.
- Lembrei, pera aí.
Eu fuço o porta luva em busca da minha possível salvação e... não a encontro.
- Pensei que o manual do carro estivesse aqui, lá tem o número do 0800 da Ford. Não tem nenhuma loja por aqui?
- A essa hora, é difícil encontrar loja aberta, você não quer deixar o carro aqui e ir na sua casa buscar o manual?
- Os vidros estão abertos, não posso deixar o carro aqui. Aaa, já sei, me dá teu carro.

O Marcos teve coragem de me dar o carro dele, fui em casa desesperada com medo de não achar nada aberto.
Chego em casa e pego logo uma lista telefônica, consigo achar uma loja aberta. Ligo lá e faço um drama pro vendedor que consegue mandar o mecânico ir ver o carro. Quando cheguei no Fórum novamente, o mecânico já estava indo embora.

- O cara disse que não pode desligar o carro. Que amanhã tem que comprar outra bateria.
- Ok.

Entro no carro, ligo os faróis e... o carro morre. (Desespero geral)Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao, eu só quero ir pra casa.

Calma Neuma, calma. Tenta de novo, caraca o carro não liga. Vou pedir ajuda pro Seu Marinho (motorista). Lá vou eu com cara de pau, entrando no Fórum pra pedir ajuda.

- Oi Dona Neuma, tudo bom?
- Não seu Marinho, a bateria do meu carro pifou, o rapaz veio e fez a chupeta, mas quando eu fui ligar os faróis pra ir embora morreu de novo.
- Vamos ver o que posso fazer.

E lá vamos nós...
- Vamos dar um tranco pra ver se pega.
Nisso seu Marinho e o Marcos começam a empurrar o carro. O que não seria algo tão absurdo, se não fosse o fato de que o estacionamento é uma ladeira.
Imagine a cena, dois homens empurrando um carro ladeira acima. E eu lá olhando, é olhando, não tenho força pra empurrar uma moto quem dirá um carro.
Aparece um flanelinha e se oferece pra ajudar. Eu lá olhando a arrumação de empurrar o carro ladeira acima, ladeira abaixo. Quando o flanelinha, muito intrometido pergunta:
- Vai ficar aí parada?
Vou, vou sim. Foi você quem se ofereceu seu enxerido, agora cala a boca e empurra.

Nisso aparece um rapaz e se oferece. E lá vão os três empurra pra cima empurra pra baixo e eu segurando o riso.

É o carro não pega mesmo, melhor por na garagem e amanhã trocar a bateria.
- Galera, empurra pra dentro.
E lá vão eles empurrando o carro pra dentro. O Marcos tadinho, tava ensopado de suor. O rapaz que se ofereceu mal respirava, o flanelinha saiu arrependido de ter se oferecido, mas satisfeito pela gorjetinha. Seu Marinho, por algum motivo entrou no carro oficial e saiu (acho que fugiu antes que eu pedisse mais alguma coisa).

Então tá, já que não tem jeito vou pra casa. Começa o descarrego, tirar tudo o que tem dentro daquele carro. De sapato a papel, tem tudo. Poderia ir embora se o vidro não estivesse aberto e eu morrendo de preocupada.

- Queria levar meu filho pra casa. (A loka chama o carro de filho). Caraca, tem uma oficina 24 horas na Vieira Caula.
- Você quer ir lá?
- Quero, quem sabe não consigo.

Lá vamos nós pra bendita oficina, chegamos lá a moça diz que trabalham com bateria, maaaas não tem no estoque. Quase morri.

Fiquei lá em choque até vir outro rapaz e perguntar o que houve. Começo a contar a saga. Ele deu uma explicação mecânica (que eu entendi tanto qanto entendo física quântica) e se ofereceu pra ir ajudar, é claro mediante pagamento de uma taxinha simbólica.

E lá vamos nós pro Fórum de novo. Eu na maior cara de pau, mando o cara entrar na garagem do Fórum. De longe o guarda olhava aquela invasão e penteava seus cabelos ralos.

Enquanto o cara fazia uma chupeta milagrosa no carro eu tentava explicar pro guarda aquela presepada.
- Vocês vão demorar?
- Não sei moço, o rapaz tá tentando arrumar o carro.
- É que não pode ficar aqui.
- Eu sei, sou servidora do Tribunal.
- O carro não pode ficar ali, tá fechando a saída do carro do Juiz.
- Eu sei, se por acaso o Juiz sair antes da gente ir embora a gente sai do meio tá?
O guarda continua a pentear seus ralos cabelos e eu volto pro meu filho.

- Moça, a chupeta tá feita, mas não pode ligar os faróis não. A gente vai devagar, eu vou na frente, e você vai atras com a luz de alerta ligada pra evitar acidente.
- Ok.

Imagine a cena: três carros com as luzes de emergência acesas, o do meio com os faróis desligados a 20 km/h andando pelo Centro. O maluco ainda me fez subir a ladeira da José de Alencar. Eu rezando pro carro não morrer no meio daquela ladeira, rezando pra eu chegar em casa, rezando pro mico passar. Enfim, cheguei em casa escoltada por dois carros, chamando a atenção dos vizinhos fofoqueiros.

Tô morgada, cansada como se eu tivesse empurrado o carro. Comecei a semana com fortes emoções. Aí tive a ideia de contar algumas desventuras que me acontecem de vez em quando e fazer alguém rir com minhas loucuras.

Tudo acontece comigo, é algo inacreditável. Tenho algumas histórias impublicavéis de situações extremamente constrangedoras e outras que dariam uma boa comédia. Sempre que puder as escreverei aqui.

Semana que vem eu começo contando a história "Neuma, você abduzida e levou meu sapato?".

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